Sobre Sonhos e Impulsos

Sabe aquela voz interior que nos impele a fazer coisas? Estou entrando numa nova fase, e talvez por isso relembrei de sonhos e impulsos, mas também de momentos que foram abandonados no caminho. Será que quando a gente começa algo é preciso ir até o final? Ou será que no meio do caminho a gente se reencontra?

Recentemente encontrei pessoas preocupadas com começos que não terminam. Também remexi objetos guardados que estou encaixotando (ou desapegando) enquanto o dia da mudança está por vir.

Esse clima me fez recordar fases que somente compreendi com ajuda da distância temporal.

Mil Pétalas

Admiro pessoas que tem um sonho e o buscam até o fim. Mas eu não sou assim. Não totalmente. Cultivo perseveranças a curto prazo. Adoro sonhar e planejar, mas gosto mais do impulso de vivenciar as coisas agora. Por outro lado, não consigo me mexer sem refletir sobre como vim parar aqui.

Quando adolescente o sonho de ser escritora não foi levado a sério. O impulso me fez escrever muitos diários (que depois joguei fora) e também a ler muitos livros. Hoje escrevo num blog e acho que me expresso bem através da escrita, mas ainda tenho muito para aprender.

A minha formação não veio de um sonho. O sonho era estudar Filosofia, mas o curso de História ficava mais próximo e possível. O impulso me levou a concluir a pós-graduação com um trabalho em que o tema me aproximou mais da natureza e das coisas simples da vida. Hoje também me considero uma pessoa mais crítica.

Mil Pétalas

O sonho de aprender muitas coisas me levou ao impulso de praticar teclado, violão, guitarra, inglês, espanhol, pintura em tela, ballet, natação, yoga, pilates, massagem, fotografia e equitação. Algumas atividades duram mais que outras. Algumas permanecem, outras pausam. E há aquelas que ainda vão entrar na lista.

O sonho de ensinar (e praticar) o que eu aprendi me levou ao impulso de trabalhar com aulas, internet e, principalmente, levou-me a saber lidar com pessoas em situações das mais estressantes às mais tranquilas.

Não quer dizer que estava enganada ou indecisa. Apenas quer dizer que fui em busca de aprendizados. Os impulsos podem ser retomados no futuro. Ou não.

Claro que também há impulsos que não são tão legais e podem prejudicar a vida, e nesse caso o melhor é se despedir deles. Sim, eu também tenho uma lista dessas.

Mil Pétalas

Sobrevivi a todas as curiosidades, indecisões e impulsos até hoje. Nem sempre começar algo sem ir até o fim é ruim. É possível experimentar sonhos que nos fazem bem, e mudar de ideia, e mudar o rumo, e trocar de sonho. Talvez o fim não exista e a realização seja apenas um novo sonho florescendo.

O que você aprendeu com os seus sonhos e impulsos?

3 comentários em “Sobre Sonhos e Impulsos

  • brunawb
    8 meses atrás

    Adorei sua reflexão, Patrícia. Eu devo ser a pessoa que mais tem dificuldade em aceitar alguns erros e outros “e se”. Tomei algumas decisões na minha vida por comodidade, outras por vontade de terceiros, outras no impulso, e fico me perguntando sobre quais desfechos eu poderia ter vivido se eu parasse para pensar e se eu tivesse batalhado como nos dizem para batalhar. Está sendo bem complicado confrontar muitos dos meus questionamentos (até porque eu também tenho a maldição de não ser sincera comigo mesma e deixar pensamentos inacabados pelo pavor de pensar neles). Eu ainda não tenho a clareza que você apresentou em seu texto, mas quero muito chegar lá.
    Beijos,
    Bru
    Blog Moderando

  • Pati, posso te chamar assim? Também sou de viver o agora e aproveitar o máximo sem pensar em consequências, mas, às vezes, me pego pensativa questionando-me se eu me arrependerei futuramente. Geralmente ajo por impulso e isso inclui falar mil coisas sem pensar que afetará alguém, mesmo que não seja essa a intenção.
    Mas em relação aos sonhos que guardo desde a minha infância, não concretizei nenhum, por sempre achar que não era capaz e não busco o que é mais próximo da minha realidade. Sou complicado, confesso!
    Adorei a reflexão!

    Beijão, mariasabetudo

    • Patrícia Leardine
      8 meses atrás

      Pode chamar sim 🙂 No passado eu errei bastante pela impulsividade, principalmente nas coisas que eu dizia ou prometia. Hoje sinto que essa impulsividade não morreu, mas ainda faz parte de mim, talvez de um jeito que me ajude mais. No entanto, sempre me pego refletindo “será que daquela maneira foi legal?” e isso me ajuda num futuro próximo. Espero que você consiga concretizar um sonho em breve, ou então crie um sonho novo para ir em busca! Beijo!

%d blogueiros gostam disto: