O que Aprendemos com os Gatos

Eu amo animais, principalmente gatinhos. Cuido de quatro gatas, cada uma com a sua peculiaridade. Elas me ensinam muito sobre convivência, paciência, sutileza. Esses dias recebi de presente um livro muito legal “O que Aprendemos com os Gatos” que complementou a maneira como vejo essas interações diárias tão cheias de significado.

Comecei a ler o livro chorando. O início é sobre a morte da gatinha da autora. Conforme ela encontra vestígios (bigodinhos perdidos, pelos no sofá, brinquedos ignorados…) vai relembrando a sua história com a gata. Foi difícil no começo. Quem tem um animal de estimação imagina que ele é para sempre, mesmo que silenciosamente saiba que não é assim.

Mil Petalas

“Parece que estou fazendo pose, mas só estou curiosa sobre a sua presença, humana”

Mas o livro não é mórbido. É sobre vida e aprendizado. A autora tem uma maneira engraçada (e irônica) de refletir sobre os hábitos humanos e felinos. O gato é, ao mesmo tempo, doméstico e selvagem, fofo e cheio de instintos. E nós, humanos, muitas vezes não entendemos a sua linguagem. Mas os gatos são persistentes e nos ensinam de muitas maneiras.

(…) Damos, assim, nossa contribuição ao seu pequeno prazer de se acomodar no seu lugar preferido, não agora, mas quando lhe ocorrer procurá-lo. Sem pressa. Ficamos mais delicados, mais atenciosos, menos centrados em nós mesmos e atentos às pequenas necessidades ou, nem sequer isso, aos pequenos desejos de um ser também pequeno, que queremos agradar em troca de nada – em troca, simplesmente, de sua presença.
Dessa maneira, os gatos nos educam, nos habituam a pensar nesses detalhes ínfimos nos quais antes não reparávamos, a nos preocupar com o conforto dos outros, com fazer ou não fazer não pensando no imediato, nem nas nossas próprias necessidades, mas em um luxo supérfulo, o de fazer com que o animal se sinta confortável quando ele quiser.
Aos poucos, podemos ir aprendendo a agir da mesma maneira com os seres humanos, nos quais antes mal reparávamos. Uma vez adquirido, graças aos gatos, o hábito de pensar nos outros, de lhes facilitar as coisas, de lhes oferecer generosamente as comodidades que ainda não nos pediram, podemos acabar nos antecipando aos desejos e necessidades daqueles que nos cercam.

Mil Petalas

“Gente, eu não estou lendo, foi aquela humana que colocou esse objeto aqui”

Se você tem gatinhos vai se apaixonar pelo livro. Mas se você não tem gatinhos também vai aprender muito. Depois de ler eu comecei a observar os animais não somente pelas emoções, ou seja, pelo que sinto em relação a eles, mas também como eles demonstram suas necessidades. Como os hábitos dos nossos pets dizem muito sobre sua natureza, e como essa convivência produz aprendizados profundos.

Qual é o sentido dessas pequenas vidas? Talvez, como as nossas, o mero fato de existir e de se sentirem vivos e agéis, sentirem uma plenitude que talvez nós nunca cheguemos a alcançar, sempre ocupados com nossos pensamentos, em nos projetar a um futuro que talvez nunca venha a chegar, em imaginar, desejar ou temer coisas que provavelmente jamais acontecerão. Alheios ao presente, voltados para um futuro incerto, é muito difícil para nós entregarmo-nos e viver os momentos que vivemos, que passam sem que os sintamos, que deixamos escapar como areia entre os dedos, como água em um cesto, enquanto olhamos para um horizonte que dificilmente alcançaremos. A vida é o que acontece enquanto você está muito ocupado fazendo planos.

Talvez depois da leitura você passe a olhar para o seu gatinho de uma forma diferente.

Mil Petalas

Shanti, adotada em 2013, mascote no trabalho.

Talvez você veja o seu gatinho saboreando um sachê e reflita sobre como aquela melequinha, aparentemente atrativa para ele, está associada com a textura das vísceras de um animal que ele poderia ter caçado, caso fosse um animal silvestre. Talvez você perceba que algumas atitudes em demonstrar amor pelo seu gato sejam demasiadamente exageradas, afinal eles mesmos nos ensinam quando é hora de parar.

Há quem não goste de animais, o que é muito diferente de decidir não ter animais. Penso que decidir não ter um animal de estimação é tão responsável quando decidir tê-los. Mas sinceramente, não gostar de animais é não conhecer a si mesmo, nem a sua própria espécie.

Mil Petalas

Livro: O que Aprendemos com os Gatos Autora: Paloma Díaz-Mas Editora: Planeta

13 comentários em “O que Aprendemos com os Gatos

  • Jessica
    10 meses atrás

    Hey Patricia, faz tanto tempo que não venho por aqui. Primeiramente, muito obrigada pelo seu comentário lá no blog, que comentário lindo e fico tão contente em saber o quanto o que escrevo ajuda outra pessoa.

    Fiquei muito feliz em saber da sua volta, não seria justo ficarmos sem seu blog lindo hein? Adoro a calma que me traz.

    Nunca havia escutado falar desse livro mas supeeer amei e já adicionei à minha lista. Os gatos são seres lindos e que nos ensinam muito (tanto quanto os cachorros). Amo a independencia deles e o modo como demonstram afeto, alegria… sou muito apaixonada e fico super triste por ainda não poder criar gatos porque fico fora o dia todo e minha mãe sofre muito quando morrem =/
    Valeu a pena Esperar | Canal no Youtube

    • Patrícia Leardine
      10 meses atrás

      Obrigada Jessica. Estou voltando aos poucos, mas fico muito feliz por rever os blogs que tanto gosto! Espero que em breve possa ter um gatinho ou cachorrinho. Depois de ler esse livro comecei a considerar o ensinamento de cada ser vivo que encontro, seja animal seja plantinha.

  • Faz tanto tempo que não venho no seu espacinho que estava com saudades.
    Adorei a carinha nova do blog <3

    Sou mãe de gatinha agora..
    Vai fazer 4 meses que adotei uma mocinha que foi abandonada e maltratada na rua e resgatá-la foi a melhor coisa que eu fiz na vida.

    No começo cuidei como lar temporário, mas ela me conquistou por completo e agora está aqui deitada no meu colo enquanto leio sua publicação.

    Fiquei com vontade de ler esse livro <3
    Tenho muitooo que aprender com esses pequenos hahaha

    Beijos

    • Patrícia Leardine
      10 meses atrás

      Que legal, uma nova mamãe de gato! Você vai adorar esse aconchego. Poxa, muito legal essa retribuição singela que eles dão. Muitos momentos fofos para vocês!

  • Eu não gostava de gatos, sempre achava que cachorro era melhor, mais leal e amigo, essas besteira que pessoas desinformadas comparam entre cães e gatos. Hoje em dia eu sou louca pra ter um em casa mas como fico o dia todo fora, não acho justo deixar o bichinho trancafiado sozinho em casa… mas eu adoro como eles são elegantes, fofos e muitas vezes engraçados!

    A Shanti é uma graça! Queria eu poder trabalhar com bichanos todos os dias!

    • Patrícia Leardine
      10 meses atrás

      Eu também gosto muito dos cachorros, mas acredito que exigem um pouco mais de atenção, e não conseguiria administrar essa dedicação no momento. Se eu pudesse teria praticamente um zoo em casa 😀 Trabalhar com bichinhos é muito legal! Em momentos de estresse eles nos mostram que não é preciso se preocupar tanto…

  • Seu post veio em um momento em que estou bastante pensativa sobre o assunto. Tirei uma semana de folga e visitei meus pais. Eles tem uma cachorrinha que é incrível e me fez refletir sobre como a vida deles é sensacional e em como respondem aos instintos de maneira tão automática (desde um simples alongamento sempre que levanta – algo que nós, humanos, também precisamos e muitas vezes não fazemos). Eu também amo animais e sou louca para chegar num ponto da vida em que eu tenha as condições necessárias para adotar um amiguinho e cuidar bem dele (afinal, é uma vida). Infelizmente, minha carga de trabalho atualmente tranca um pouco a coisa, mas estou me esforçando pra mudar esse aspecto. Eu confesso que me deu um aperto no coração ao pensar na autora do livro refletindo sobre todas essas coisas quando perdeu a gatinha, mesmo eu não tendo passado por isso. Fiquei com bastante vontade de ler, então vou providenciar. Obrigada pela dica! 🙂
    Beijos,
    Bru
    http://www.moderando.com

    • Patrícia Leardine
      10 meses atrás

      Que legal. Espero que em breve consiga compartilhar bons momentos com um pet, mas também tem a cachorrinha dos seus pais para satisfazer esses bons momentos. Eu acho um livro bem bacana, e gostaria de encontrar mais desse tipo. Já imaginou essa temática com outros bichinhos? Iria adorar 😀

  • Só de ler o post eu já tô quase chorando, hahaha. Resgatar o Poe da rua foi uma das coisas mais importantes que já aconteceram comigo, e ele hoje é um melhor amigo de um jeito que fica até difícil de acreditar – principalmente pra quem acredita que gato é arisco, insensível, independente demais. Eu sempre fui a louca dos gatos, então nunca tive dúvidas do quanto eu ia me apegar logo de cara. Meu noivo, por outro lado, achava que não gostava de bicho até ver o Poe escondido embaixo de uns carros, e hoje ele nem acredita no tanto que se apegou a um bichinho.
    A gente sabe que eles não vivem pra sempre, mas só de pensar que ele vai ficar com a gente enquanto viver – e que alguns gatos vivem realmente muito! Eu já me dou ao direito de não me imaginar mais sem ele, por mais que eu saiba que isso não é exatamente verdade.

    • Patrícia Leardine
      10 meses atrás

      Que linda história! Nossa, é muito bom resgatar e vê-los crescer e ficar fortes, bonitos e sapecas. É incrível como a convivência com os animais pode mudar o que as pessoas pensam sobre eles, afinal eles são muito contagiantes. Uma vida longa, fofa e cheia de coisas boas para vocês e para o Poe.

  • Que texto perfeito e completo, não tenho nenhum animalzinho. Tenho uma amiga que ama gatos demais, ela tem 5. Vou recomentar a leitura para ela.

    Beijos
    http://orangelily.com.br/

  • Muito lindo o artigo, e muito perfeito esse livro. Gatos são tudo de bom. Ao observar diariamente minhas gatinhas, com seus jeitinhos próprios e suas personalidades, sinto-me mais compassivo em apreciar a beleza da vida e da Natureza.

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